Algo sobre Janaína Azevedo, a jovem contista paraibana
Alguém apontou para o fim das grandes narrativas. Outros atestam a consolidação do romance histórico. Ainda outrem percebem formas experimentais para narrativas mixadas. Tempo de experimentos, tentativas de neo-vanguardas. A arte tomou ares de espaço, transformou-se em intervenção, trânsito, performance, piscar d’olhos. A literatura encontrou sua encruzilhada.
E a escrita de Janaína Azevedo, por onde vai?
Filha da escrita regionalista, ela não quer cantar os cenários de sua vetusta cidade, tampouco os recantos e conflitos sociais de seu nordeste medieval. Suas ações transcorrem demarcadas. E essa área de ação é definida pelas relações familiares. A base do patriarcalismo nordestino é a fundação mais profunda da família ibérica, com suas amarras religiosas extensivas à sociedade. Essas amarras são legitimadas pela tradição. A tradição perde-se no tempo e toda e qualquer novidade é medida pela sua régua. A família, laboratório literário, de Janaína encontrará mulheres
sonhadoras,
sonâmbulas,
mal-amadas,
loucas,
avançadas,
tristes.
Raras livres!
Janaína tem dois volumes de contos:
Marias. João Pessoa: Editora da UFPB, 1999. (Prêmio Novos Autores Paraibanos)
e
Orquídea de cicuta. João Pessoa: Ed. Manufatura, 2002. (Coleção Olho D’Água)














