A poesia exigirá coisas que talvez, agora, não estejamos delas senhores. Se é poesia ou não, o tempo revelará. Só digo uma coisa, que, inclusive, já disse. O que fazemos aqui nem é cordel, tampouco repente, nem cantoria, nem glosa. Não é cordel porque o traço fundamental do cordel é a narrativa, uma história, que terá começo, meio e fim. O cordel não é reflexivo, não se passa para reflexões subjetivas, exceto no caso do perfil de personagens. Se não tem história, não é cordel. Pode até ser poesia, mas não cordel! O repente, primeiro, não é escrito, se for escrito não é repente, mesmo escrevendo ao correr da pena, pois se assim o fosse, James Joyce seria repentista. O repente requer um tempo de resposta instantâneo, imediato. Coisa que aqui jamais acontecerá, pois obrigatoriamente teremos de ler o verso do anterior e armar estratégias de defesa. No repente a defesa se faz enquanto o outro pronuncia seu verso. A pena refaz o seu verso, a fala gaguejará, e aí veremos quem é cantador!
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