Reflito: — Há uma dor agora viva. Uma dor sem lugar nas estantes dos meus medos. Recebi um rinoceronte de presente e descobri que o feitiço-fechadura do meu corpo perdeu o efeito. O amor em mim é um rinoceronte. Uma fera aparentemente brava, agressiva, dura e imbatível. E foi assim: atacou-me, chifrou-me, derribou-me. Meu corpo fechado, ilusão infantil, sangrou pelos poros. A fera dentro de mim, tão viva e tão sem controle. O rinoceronte não se adaptava a seu novo habitat: um esturricante deserto, uma paisagem onde a vida a custa de muita insistência, floria tímida e rara. O meu amor/rinoceronte cavava a areia mórbida. Nada a encontrar. Poeira, muita poeira. Recebi uma fera de presente. Um presente para os meus atribulados sonhos. Meu corpo fechado era uma fraude.
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Realmente não há corpo fechado para o amor…Principalmente quanto este é forte como um “rinoceronte”.
Comment by Ivandro Candido — 30 November 2005 @ 2:37 pm