Aderaldo Luciano29 December 2011 4:56

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Aderaldo Luciano

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Aderaldo Luciano26 April 2011 10:01

 Saga de Antonio Silvino, por Chagas Batista

No próximo dia 5 de maio completam-se 129 anos de nascimento de Francisco das Chagas Batista, um dos pioneiros do cordel, fundador da Popular Editora e editor de Leandro Gomes de Barros. Nasceu na cidade de Teixeira-PB e morreu em João Pessoa-PB. Passou por Campina Grande, publicou folhetos em Areia, ambas na Paraíba, e engrossou sua produção publicada em Recife-PE onde se formou uma célula de divulgação e promoção do cordel, tendo Leandro como pioneiro e João Martins de Ataíde como continuador.

Acima, reproduzo a capa da epopeia de Antonio Silvino escrita por Chagas Batista, publicada por H. Antunes em 1960, prefaciada, revista e aumentada por seu filho, também poeta, Sebastião Nunes Batista. Abaixo, a apresentação em fac-símile do referido folheto, com uma pequena chamada para a Roda de Cordel da próxima sexta-feira, dia 29.

Aderaldo Luciano13 March 2011 8:04

Nosso segundo encontro da Roda de Cordel está marcado para sexta-feira, dia 18 de março, a partir das 19:00h, na Sede da Apeoesp, à Praça da República, 282, Centro de São Paulo. Saiba o que é esse círculo de estudos:

Apresentação

Ementa

História do cordel brasileiro. Pioneiros, continuadores e contemporâneos: entre a geração Princesa e a geração Coroada. Elementos fundamentais do cordel brasileiro. Editores e editoras. Escrevivência do cordelismo. O cordel brasileiro hoje.

Programa

1. ARQUEOLOGIA DO CORDEL

a) História: a geração Princesa

Leandro Gomes de Barros e a fundação do cordel
Silvino Pirauá de Lima, o poeta enciclopédico
João Martins de Athayde, o mercador da poesia
Francisco das Chagas Batista e a Popular Editora

b) O Pavão Misterioso, divisor de águas

José Camelo, o helicóptero em forma de pássaro
Delarme Monteiro, as torres e o encantamento
Antonio Teodoro, o poeta garimpeiro
Eneias Tavares, de realidade e ficção

c) Cordel e outras artes

Manoel Camilo, Wladimir Carvalho e Orígenes Lessa: ecos de São Saruê
Leandro Gomes de Barros, José de Alencar e Luís Jardim: o boi misterioso
Azulão, Ariano Suassuna e Guel Arraes: os compadecidos
Pedro Monteiro, Homero Fonseca e Ciro Fernades: romances e madeiras

2. LITERARIEDADE DO CORDEL

a) Conceitos fundamentais do cordel

Métrica, ritmo, rima, estrofação

Cordel e lírica
Cordel e épica
Cordel e drama

b) As adaptações em cordel

Memórias póstumas de Brás Cubas, de Varneci Nascimento
O corcunda de Notre Dame, de João Gomes de Sá
A megera domada, de Marco Haurélio
O alienista, de Rouxinol do Rinaré
Os miseráveis, de Klévisson Viana

c) Erros, equívocos e falácias sobre o cordel

Cordel e repente: um erro concertável
Cordel e xilogravura: um erro acadêmico
Cordel e cantoria: equívoco modal
O cordel brasileiro e o cordel português: distâncias de além-mar

Carga horária e certificação

A Roda de Cordel - círculo de estudos sobre o cordel brasileiro acontece em encontros mensais de aproximadas duas horas e meia por 11 meses, totalizando 27 horas. Dependendo da demanda os encontros podem aumentar seu número. De início acontecerá na Sede da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo), à Praça da República, 282, no centro da cidade de São Paulo, mas o seu intuito é ser itinerante por locais a serem divulgados antecipadamente. Alertamos que estamos em conversações com faculdades de Letras para agregar a Roda de Cordel aos seus cursos de extensão para que possamos certificar os particpantes.

Bibliografia

A bibliografia básica, além dos textos inseridos no próprio corpo do programa requer basicamente: Literatura de cordel: uma poética para os heróis degolados, dissertação de mestrado do professor Aderaldo Luciano e Literatura de cordel: visão e re-visão, do mesmo professor, além de Breve história da literatura de cordel, do pesquisador Marco Haurélio e o Literatura Popular em Verso - Estudos, da Fundação Casa de Rui Barbosa

A Curadoria e a Coordenação

A Curadoria é de Nando Poeta, professor, formado em Ciências Sociais pela UFRN. Poeta cordelista engajado, autor de vários títulos entre os quais Mulheres em luta e A arte de lutar nos quais atualiza uma antiga tradição do cordel: o engajamento social, inaugurado por Leandro Gomes de Barros e Chagas Batista.

A Mediação é do professor Doutor Aderaldo Luciano, pesquisador do CNPq, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, autor de O auto de Zé Limeira e coordenador editorial da Editora Luzeiro, a principal casa de publicações em cordel brasileiro.

 


Aderaldo Luciano9 February 2011 11:41

Convite

Há algum tempo pensamos em uma maneira de discutir os aspectos internos e externos do cordel. A partir de sexta-feira, dia 11, iniciaremos o círculo de conversas sobre o cordel. Será na sede central da Apeoesp, ali na Praça da República, 282, em São Paulo. Na ocasião discutiremos além de elementos históricos do cordel,alguns elementos da métrica, rima, ritmo e estrofação cordelísticos. Não é seminário, não é oficina. É um grupo de estudos. Estarei à frente dessa conversa como preparação para a instalação da Escola Livre do Cordel, sobre o que conversaremos no seu devido tempo. A curadoria é do incansável Nando Poeta. 

Aderaldo Luciano4 January 2011 2:33

A edição de aniversário de 31 anos do Globo Rural, da TV Globo, foi toda dedicada ao cordel. Clique na imagem para ter acesso à parte do programa sobre Leandro Gomes de Barros quando dou um breve depoimento sobre Leandro e João Martins de Ataíde.

 

Mais um pouco sobre o cordel e suas ilustrações, bem como um pouco sobre a Luzeiro, a editora da qual sou o coordenador editorial. Depoimentos de Varneci Nascimento e Gregório Nicoló. Clique na imagem:

 

Aderaldo Luciano 2:08

O ano passado foi interessante para o cordel. A TV Escola exibiu uma série de cinco programas sobre O Cordel na Sala de Aula, entrevistando cordelistas de todo o país. No terceiro programa fui entrevistado sobre como proceder na sala de aula com o cordel. Clique na imagem para ser direcionado ao programa na página da TV Escola e saber mais detalhes, bem como ter acesso a todos os programas da série. Imperdível para pesquisadores e professores que queiram descobrir o Brasil.

 

 

Aderaldo Luciano11 December 2010 4:30

1.

Inicio outra rodada de paródias com Georges Mathieu, em entrevista a Vintila Horia:— É evidente que o poeta de cordel se prepara para escrever. O problema está em saber ou prever se o fará de forma sábia ou demencial.

2.

Thomas Heggen a Budd Schulberg: Leandro Gomes de Barros (o criador do cordel) foi sábio o bastante para logo perceber que a carreira de um escritor não é uma escada rolante, nem uma palmeira para que suba por ela, como macaco, se apoiando nas mãos. Um escritor, quando continua escrevendo é uma cordilheira… sou uma cordilheira, desço, subo, tenho chapadas, deslizes e até quedas.

3.

Vicente Huidobro: esses quase-poetas contemporâneos são muito interessantes, mas seu interesse não me interessa. 

Aderaldo Luciano 4:26
  • O cordel é minha terra e minha praia, é meu santo e meu altar, por ele não mato (sou um frouxo) nem morro (sou covarde), mas me arrisco (sou ousado).
  • Cada vez me convenço mais que a crítica brasileira, essa que anda aí elegendo seus cânones, é movida apenas pelo gosto pessoal, pelo comadrio e até pelo jabá. É flagrante sua ignorância, seu bairrismo, suas fichinhas carimbadas, seus tin-tins.
  • Fui ao lançamento de um livro de um amigo e ouvi alguém referir-se a mim como o cara que só sabe falar de cordel. Mas a pessoa falava como quem queria evitar-me a toda custo, para não ouvir minhas intermináveis divagações sobre cordel e cordelistas. Nessa noite caiu minha ficha: estou no caminho certo.
 

Aderaldo Luciano3 December 2010 3:40

1.
Em tempos de retomada de território, a brigada do cordel deve se situar entre a bala e o ballet, entre o fuzil e o fusilli, entre o militar e a militância, entre o estilhaço e o estiloso, entre o coronel e a coronária, entre a intelligentzia e a inteligência, entre o preso e o prazo, entre o Beltrame e o Belchior.

2.
O cordel consolidou-se como o principal traficante poético do Brasil: ensanguentou Suassuna na Pedra do Reino, desovou Zé Lins nos labirintos do canavial, cegou Raquel de Queiroz com um copo de água gelada, expulsou João Cabral da casa de Sivirino e recentemente jogou Glauco Mattoso de uma catarata.

Aderaldo Luciano17 November 2010 5:22

1.
Durante as palestras que tenho ministrado sobre cordel, uma das perguntas mais frequentes é: — Qual a origem do cordel? Respondo: — Há três teorias para a origem do cordel: uma diz que o cordel é originário da península ibérica e que chegou até nós trazido pelos colonizadores. Discordo dessa vertente pois não se tem notícias de cordel português em solo brasileiro. Um ou dois aqui chegaram.

2.
Outra vertente diz que o cordel é a face escrita da poética dos cantadores repentistas. Discordo dessa corrente por constatar que a sextilha do cordel é completamente diferente da sextilha do repente, embora conserve a mesma armadura, mas abandona a deixa, marca indelével do repente. Além do mais, a sextilha foi introduzida no repente tardiamente, visto que os desafios eram feitos em quadras.

3.
A terceira é na qual acredito: no cordel genuinamente brasileiro. Dialoga com Portugal e com os repentistas, mas rompe com ambos. É como a música: não se nega uma música brasileira genuína, mas a música já habitava o velho mundo e a música dos nossos autóctones, que deveria ser a música brasileira, tem pouca influência. No cordel consolidou-se nossa independência poética.

Aderaldo Luciano11 November 2010 7:21

Durante o fim de semana, entre 4 e 7 de novembro, aconteceu o festival Cubatão Danado de Bom. A Editora Luzeiro expôs seus cordéis para venda: 500 títulos. A seguir a lista dos mais vendidos:

Em primeiríssimo: A chegada de Lampião no Inferno

2. O Pavão Misterioso

3. A briga de dois matutos por causa de um jumento

4. João Soldado, o valente soldado que colocou o diabo em um saco

5. Lampião, Rei do Cangaço

6. Visita de Lampião a Pe. Cícero no Céu

7. A peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho

8. Presepadas de Chicó e astúcias de João Grilo

Destaques:

A mulher que casou 14 vezes e continuou donzela

O Negrão do Paraná e o Seringueiro do Norte

Como se nota, os clássicos são os campeões, dentre eles Lampião ainda é a figura mais apreciada, pois 3 dos 8 mais vendidos têm sua chancela. Os destaques para A moça que casou 14 vezes… e o Negrão do Paranáforam surpreendentes. Títulos muito chamativos cujo teor não decepcionou. Outra observação é que na lista figuram dois novíssimos escritores: Varneci Nascimento, com Visita de Lampião a Pe. Cícero no Céu e Marco Haurélio, com Presepadas de Chicó e astúcias de João Grilo. Perceba-se que ambos estão com a marca de quatro mitos nordestinos: Lampião e Pe. Cícero, Chicó e João Grilo.

Entre os folhetos no tamanho pequeno 11X15, os mais vendidos:

1. Dez mandamentos do preguiçoso, de Varneci Nascimento
2. Pergunta idiota, tolerância zero, de Varneci Nascimento
3. Chicó, o menino das cem mentiras, de Pedro Monteiro
4. Abolição, um sonho de liberdade, de Benedita Delazari
5. A escravidão negra e o Quilombo dos Palmares, de Benedita Delazari
6. O casamento da Chapeuzinho Vermelho, de Cleusa Santo

Entre os pequenos, destacam-se os folhetos de autoria feminina, de duas mulheres que não são nordestinas, o que prova que o cordel é nacional. Na soma total, Varneci Nascimento é o autor mais procurado, com um título entre os folhetos coloridos e dois entre os pequenos de duas cores.

Aderaldo Luciano4 November 2010 12:44

Repito enfaticamente:

Não é o poeta quem escolhe o cordel. É o cordel quem escolhe o poeta.

Logo, não adianta labutar no lodaçal. Se o poeta não consegue construir um poema em cordel, com mais de 30 sextilhas, é bom repensar seu intento. Se consegue escrever 28 apenas, tem uma luz, mas só. O cordel requer fôlego.

Da mesma forma, o poeta que escreve cinco sextilhas e diz que escreveu cordel, delira. Escreveu tão somente cinco sextilha, utilizou apenas a técnica do cordel, não escreveu um cordel.

Lembremos que uma sextilha solitária extraída de um poema de cordel, perde sua aura cordelística. É unicamente uma sextilha, um pintainho de acauã que do ninho caiu. E morreu.

Repito ainda:

O poeta de cordel tem que respirar cordel, mas precisa comer várias outras guloseimas.

Aderaldo Luciano27 October 2010 4:31


1.
Inicio essa nova rodada de apropriações, apropriando-me de Afrânio Coutinho, adaptando-o ao cordel:

Divorciado de uma tradição, o poeta de cordel sente-se separado de seus predecessores, que ignora, da sociedade, que o desconhece, ou de seus pares, a que não presta atenção…

2.
Continuando:

É marca indelével de nossa vida intelectual a completa desatenção do escritor ao trabalho de outros escritores passados ou contemporâneos. Resultam o isolamento e o marginalismo em vida, e o esquecimento rápido com a morte, como se construísse sobre a areia. E resulta a impressão de que as obras são feitas de espuma, desaparecendo com o tempo.

3.
Ainda parodiando Afrânio:

A fé no espontâneo, na arte natural, na inspiração telúrica, faz com que (o poeta de cordel) despreze o estudo e a formação técnica. Constitui motivo de jactância ou endeusamento, e critério de aferição de valores, o pouco ou nenhum estudo, a virgindade de alma, a incultura… refletidos na rapidez e abundância da produção, no descuido e desinteresse pelo aperfeiçoamento.

Aderaldo Luciano22 October 2010 7:19

O cordel é síntese e profecia:
pois resume e anuncia.

É tradição e vanguarda:
pois respeita e avança.

É continuidade e ruptura:
pois represa e deixa fluir.

É corpo e alma:
pois adormece e todos os dias nunca dorme,
alerta e transcendente.

Aderaldo Luciano 7:13

1.
Desde a primeira edição de Os Sertões que se repete o refrão: “O sertanejo é antes de tudo um forte.”. Não resta dúvida que o é, mas Gilberto Freyre nos alerta para o fato de o Nordeste não ser apenas sertão, barro vermelho, terra seca, brocas e mandacarus. Há o Nordeste da cana-de-açúcar, cujo caboclo é tão forte quanto o sertanejo euclidiano.

2.
Mas há também o Nordeste de Jorge Amado cujos trabalhadores do mar e do cacau equivalem em força, bravura e destemor aos sertanejo e brejeiro. O que dizer dos homens do caranguejo? E dos babaçueiros? Querer reduzir o Nordeste e seu Homem ao sol com raios wolverínicos é assassinato antropológico.

3.
Essa redução passou à poesia. Passou ao cordel. É comum se louvar a poesia sertaneja como aquela de melhor cepa. Mais comum ainda chamar o cordel de poesia sertaneja. Ora, ora, o maior clássico do cordel (A História do Pavão Misterioso) é de um brejeiro, José Camelo. O País de São Saruê é de outro brejeiro, Manoel Camilo. Não por acaso, ambos de Guarabira.

4.
Mesmo nos primórdios, o brejo paraibano teve seu papel de suma importância: João Martins de Ataíde é do Ingá. Francisco das Chagas Batista trabalhou em Areia e morou em Guarabira. Azulão é de Sapé. João de Cristo Rei, de Areia. E assim se vai: a poesia não tem pátria, nem classe social, ninguém é seu dono, tampouco seu senhor e o sertão não é o El Dorado poético.

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